Por: Lucas Furtado Isaias
Qual o valor da arte? O
quanto ela é real? Quanto uma obra real ou não pode valer em uma noite de leilão
de arte? Quando uma pessoa pode ser inspiração para uma produção considerada “obra
prima”? Estas perguntas rondam Vermelho Monet, dirigida por Halder Gomes e que
conta a história de Johannes, um pintor de mulheres mal sucedido que encontra
em Florence, uma atriz que está insegura na preparação para o maior filme da
carreira uma fonte de inspiração para a sua maior obra da carreira. E tudo isso
passa por Antoinne é uma marchand influente que
pode ser decisiva para o sucesso ou não da obra. O filme é um drama afiado,
instigante, provocador e muito bem produzido que também
fala de amor intenso, encontro e desencontro.
A produção traz uma outra
vertente de Halder que é muito conhecido por suas comédias como Cine Holliúdy e Os Parças e que impressiona
o público por sua qualidade. Com uma história interessante e que tem muitos
bons desenvolvimentos e responde às perguntas que fiz no parágrafo inicial e
provoca o público sobre o valor da arte e o seu papel na vida. Buscando
conceitos que podem ser considerados de alta sociedade, ele exprime em uma obra
que o público sente a tensão que a produção traz, sobretudo em seu desfecho. A
edição caprichada ajudou a tornar o filme ainda melhor.
Mais do que ter uma ótima
história e ter aspectos técnicos elogiáveis, o longa tem também atuações fantásticas
de seus protagonistas. Chico Diáz como o pintor Johannes e Maria Fernanda Cândido como a marchand Antoinette. Os dois são personagens
diferentes, mas com algo em comum: passam toda a autenticidade e emoção que tem
na obra e como consequência temos magníficas atuações no ar.
O grande destaque é Stephanie Müller que interpreta a atriz Florence
Lizz. Este é o primeiro papel dela no cinema e consegue se destacar com brilho
e êxito. Sua personagem tem uma luz própria com uma atuação perfeita, cheia de
intensidade e exprime toda a elegância, tensão e brilho que ela carrega. É uma
personagem que tem uma energia e emoção intensa e com estilo próprio e
sofisticação.
Vermelho Monet é o primeiro de uma trilogia que o diretor pretende fazer
e tem muitas qualidades e a mistura de arte, amor, tragédia, poder e status
aliado a grandes interpretações faz da produção uma legítima obra-prima. É um
filmaço com muito requinte e qualidade. O
próximo filme da série, segundo o diretor, deve ser Azul Vermeer e quem viu o
primeiro certamente ficará na expectativa do segundo.
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